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A Freguesia

Localização

A freguesia de Infias está situada na margem direita do rio Mondego, a cerca de 2 quilómetros da sede de concelho de Fornos de Algodres, no distrito da Guarda; o seu orago é S. Pedro, celebrado anualmente a 29 de Junho.

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História e Arqueologia

Infias é uma muito antiga povoação habitada pelo menos desde o século XIII, as referencias mais antigas aos habitantes de Infias encontram-se no documento “Inquirições da Beira e Alem Douro, de D. Afonso III do ano de 1258”, no entanto por essas alturas não era ainda concelho, desconhecendo-se se estaria incluída no termo de Algodres ou no de Fornos. O que se sabe é que nunca possuiu carta de foral e sempre se regeu pelos forais do concelho de Algodres.

O povoamento nesta freguesia datara pelo menos do Calcolitico (Idade do Cobre - aproximadamente 2500 a 1800 a.C.), datando desse tempo embora ainda não devidamente escavados, vestígios no monte da Rasa. Relativamente perto também embora já no termo de Algodres, existem vestígios arqueológicos já de certa forma documentados da época do Neolítico, na quinta da Assentada.

Foi no entanto durante a Romanização e depois do abandono do castro da Raza, ja na planura que terá tido bastante desenvolvimento, havendo quem afirme que aqui existiu uma "civitas" ou "villae" romana. Têm sido encontrados (embora sem nunca se ter feito nenhuma escavação a serio) vários vestígios: moedas de vários imperadores, partes e capiteis de colunas, pedras de moer, lapides, etc.. Também é certo que em Infias se terem cruzado ou bifurcado duas estradas romanas: uma que de Viseu se dirigia a Egitanea (Idanha-a-Velha) por "Linhares" e outra da referida cidade que ia a Merida por "Trancoso". Há também vestígios desse tempo nas Porviegas e na quinta do Godinho.

A darmos crédito ao padre Luis de Lemos a origem do topónimo "Infias" derivaria da palavra latina: Infidelas que com o tempo terá perdido as consoantes "d" dando Infielas e o "l" resultando: Infieas que depois terá evoluído para Infias, mas certo e que em 1525 no cadastro da população do reino mandado realizar por D. Joao III era referida como vila e concelho com o nome de "Emfiaens". Ambas as palavras têm o mesmo significado, e designam um grupo de infiéis ou pessoas não convertidas. Esta designação ter-lhe-á sido dada pelos cristãos e estes infiéis tanto poderiam ter sido muçulmanos, judeus ou qualquer outra religião que não a cristã.

O mesmo padre Luis afirma também que a igreja de S. Pedro data da época romana e será dos primeiros tempos do cristianismo, afirmando que era costume nesses tempos dedicar a S. Pedro as igrejas situadas junto cruzamentos de estradas romanas. Pode muito bem ser que tenha razão, no entanto o documento mais antigo conhecido em que aparece mencionada esta igreja data de 1320, em que no reinado de D. Dinis foi taxada para a guerra com os mouros em 10 libras. Dai somos levados a concluir que já existia antes dessa data. Havendo na fachada desta igreja uma pequena lapide votiva do deus Mercurio, há quem afirme também que este templo foi erguido no sitio em que terá havido outro aquele deus romano, não existem nenhumas evidencias que o confirmem e o mais provável e que essa lapide terá existido junto a estrada romana (Mercurio era o patrono dos viajantes) e para construção da igreja terá sido aproveitada, no entanto nunca se poderá descartar totalmente a primeira hipótese.

Pelas evidências apontadas as origens do topónimo "Infias" que será pós-romano, tem a ver com o facto de esta povoação originalmente ter sido formada por gente que não professava a fé crista. Se eram judeus ou mouros ou de outra religião não sabemos, mas devido ao facto de se situar junto a estradas romanas bem poderiam ter sido judeus (eles já existem na península Ibérica desde pelo menos o século VI) e como eles eram maioritariamente artesãos, mercadores e colectores de taxas, faria todo o sentido que residissem junto a boas vias de comunicação. De outras religiões não existem nenhumas evidencias e muçulmanos também não creio que fossem pela simples razão de que esta região era muito mais uma região de fronteira e não se conhecem nenhuns vestígios de povoamento por eles organizado.

Segundo Monsenhor Pinheiro Marques, “O Sr. Dr. Mota Feliz, distinto médico de Fornos, procedendo a investigações conseguiu pôr a descoberto parte de fortificações segundo os moldes romanos, encontrando também, numa extensão de mais de dois quilómetros, moedas da época de Constantino, fragmentos de vasos, mós,…”

Neste momento estão a ser desenvolvidos esforços para encontrar elementos da família do Médico Mota Feliz, com o intuito de encontrar mais alguma informação importante sobre as suas descobertas, sendo que toda a ajuda que poderá vir de encontro ao nosso objectivo será bem vida e agradecida.

Nota: Algumas das informações aqui relatadas, tiveram a colaboração do nosso amigo e conterrâneo Albino Cardoso,  que estando emigrado nos Estados Unidos , não deixa de ser um entusiasta da nossa história concelhia e regional, como é prova os seus blogs: Aqui d'Algodres, Algodres e suas terras, D'Algodres.

 

 

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